Meu Pet, Meu Amigo

Ser tutor também cansa (e isso não te faz menos amoroso)

Tutor

Ser tutor de pet é ouvir que “é só alegria”, “é só amor”, “melhor terapia que existe”. Tudo isso é verdade em muitos dias, mas não em todos. Mas, tem manhã que você acorda exausto, noite em que falta paciência, semana em que a rotina com o pet parece mais uma cobrança do que um alívio.

Pesquisas evidenciam que, com os benefícios emocionais, a responsabilidade de cuidar de um animal também pode gerar estresse, sobrecarga e impacto na saúde mental do tutor, especialmente em rotinas já apertadas. Logo, sentir isso não significa amar pouco; significa ser humano em um vínculo muito intenso.


A vida que gira em torno do pet.

Hoje, para muita gente, o pet não é “parte” da vida: é eixo em torno do qual decisões importantes são tomadas. Estudos indicam que cães e gatos influenciam escolhas de trabalho, viagens, lazer, horários e até mudanças de casa. Essa centralidade traz companhia, estrutura e sentido, mas também aumenta a sensação de que “não posso falhar com ele nunca”.

Relatos de tutores mostram que, ao mesmo tempo, em que o animal ajuda a reduzir solidão, ansiedade e depressão, ele também pode virar mais uma fonte de preocupação constante: se está bem, se está sozinho demais, se está comendo certo, se está doente. É como se o coração estivesse sempre meio em alerta.


Sobrecarga invisível

No dia a dia, a sobrecarga de ser tutor raramente aparece em grandes gestos; ela mora nos detalhes. Por exemplo:

  • Ajustar horários de trabalho e lazer pensando no tempo que o pet ficará sozinho.
  • Assumir custos fixos com alimentação, higiene, brinquedos, consultas, exames e emergências.
  • Renunciar a viagens, saídas ou oportunidades porque “não tenho com quem deixar”.

Pesquisas apontam que muitos tutores relatam, ao mesmo tempo, altos níveis de amor e conexão com o pet e, em paralelo, estresse, frustração e tensão ligados aos cuidados, especialmente em casos de comportamento difícil ou doença crônica.


Culpa: a sombra de quem cuida

Culpa é um dos sentimentos mais frequentes quando se fala em saúde mental de tutores. E suas principais causa são por:

  • Não passear o suficiente.
  • Trabalhar demais e deixar o pet sozinho.
  • Perder a paciência em um dia ruim.
  • Não conseguir oferecer “tudo o que vê na internet” em termos de enriquecimento, brinquedos e experiências.

Sendo assim, textos e especialistas em saúde mental lembram que essa culpa é alimentada por expectativas irreais de ser um tutor perfeito, sempre disponível, sempre paciente, sempre criativo. Quando a realidade — feita de cansaço, boletos e limites humanos — aparece, muitos se julgam de forma muito mais dura do que julgariam qualquer outra pessoa.


Quando o cansaço transborda para o pet.

Portanto, o estado emocional do tutor não fica só no tutor. Estudos recentes evidenciam que o estresse e a ansiedade de quem cuida podem influenciar o comportamento e até respostas fisiológicas dos cães. Em casas muito tensas, animais tendem a ficar mais reativos, ansiosos ou apáticos.

Isso cria um ciclo difícil: o tutor sobrecarregado reage com menos paciência, o pet responde com mais comportamento desafiador (latido, destruição, xixi fora do lugar), o que aumenta ainda mais o cansaço e a culpa de quem cuida. Cuidar da sua saúde mental, portanto, não é luxo; é parte do cuidado com o animal também.


Você não nasceu sabendo ser tutor.

Sendo assim, por mais natural que pareça hoje, ninguém nasce sabendo lidar com as demandas de um pet na vida adulta: sono, dinheiro, agenda, saúde, trabalho. Guia de bem‑estar lembra que a guarda responsável envolve aprendizado contínuo, ajustes de rotina e, muitas vezes, remanejar prioridades.

Aceitar que você está aprendendo — e que esse aprendizado inclui erros, tentativas e arrependimentos — tira um pouco da pressão de “acertar de primeira”. É diferente olhar para si como alguém em construção, não, como alguém que “falhou” porque se cansou.


Dividir o peso

Uma das recomendações mais recorrentes em textos sobre tutores e saúde mental é: não carregue tudo sozinho. Isso pode significar:

  • Combinar divisão real de tarefas com outras pessoas da casa (quem alimenta, quem limpa, quem passeia, quem leva ao veterinário).
  • Contar com serviços de apoio quando possível, como dog. walker, creche, pet sitter, hotelzinho, especialmente em fases de maior sobrecarga.
  • Conversar abertamente com amigos e familiares sobre o peso real de cuidar do pet, sem romantizar.

Logo, dividir não é terceirizar afeto; é reconhecer que um vínculo saudável precisa caber em uma vida que também tem outras demandas.


Autocuidado não é abandono

Muitos tutores sentem que reservar tempo para si — terapia, atividade física, lazer sem o pet, momentos de silêncio — é quase uma traição ao animal. No entanto, estudos e relatos ressaltam que o benefício emocional do pet acontece com mais força quando o tutor também está minimamente bem.

Em outras palavras:

  • Um passeio mais curto, feito por alguém descansado e presente, vale mais do que um passeio longo feito com irritação.
  • Um tutor que cuida minimamente do próprio sono, da própria alimentação e da própria mente tem mais recursos para cuidar bem do animal a longo prazo.

Cuidar de si é, paradoxalmente, uma das formas mais profundas de cuidar do pet que depende de você.


Quando é hora de solicitar ajuda.

Assim como se fala hoje em saúde mental de veterinários, começa a ganhar espaço a conversa sobre saúde mental de tutores. Pode ser importante buscar ajuda profissional se você percebe:

  • Irritabilidade constante com o pet ou com pessoas próximas.
  • Sensação de estar sempre à beira de explodir, choro frequente, desânimo prolongado.
  • Pensamentos de que “não dou conta de mais nada”, “estraguei a vida do meu pet” ou “me arrependi, mas não posso dizer isso em voz alta”.

Psicoterapia, grupos de apoio e conversas honestas com profissionais de saúde ajudam a colocar esse amor e essa responsabilidade em um lugar menos solitário. Não é sinal de fraqueza; é sinal de compromisso com o vínculo.


Amar também é ajustar expectativas.

Ser tutor também cansa — e isso não te faz menos amoroso. Te faz uma pessoa real, com limite de energia, de tempo, de dinheiro e de paciência.

À medida que o vínculo com o pet se aprofunda, vale ajustar a expectativa: em vez de tentar ser o tutor perfeito, talvez seja mais honesto buscar ser um tutor suficientemente bom, que cuida, aprende, erra, repara e se cuida no processo. É desse lugar mais humano que nasce uma convivência mais leve para os dois.

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Maria Sousa

Apaixonada por animais, dedico-me a compartilhar informações práticas e de qualidade sobre cuidados com os pets. Como criadora desse blog especializado no tema, ofereço dicas e curiosidades para facilitar a vida dos tutores e promover o bem-estar dos bichinhos.