Pulgas e carrapatos no cachorro? Entenda riscos, doenças, prevenção e tratamento para proteger seu pet e sua casa o ano inteiro.
Pulgas e carrapatos parecem apenas um incômodo de coceira, porém fazem parte de um problema muito maior. Esses parasitas se alimentam de sangue, causam alergias fortes, transmitem doenças graves e conseguem se espalhar pela casa com uma facilidade assustadora.
Por isso, quem ama um pet precisa enxergar pulga e carrapato como ameaça de saúde, não só como sujeirinha no pelo. Com informação clara, prevenção contínua e escolhas certas de produtos, você consegue quebrar o ciclo desses invasores e manter o seu cachorro seguro.
Parasitas.
Pulgas e carrapatos são ectoparasitas, ou seja, vivem na pele e pelos do animal, alimentando‑se do sangue dele. Apesar de pequenos, possuem ciclos de vida complexos e extremamente eficientes, principalmente em ambientes urbanos.
As pulgas se escondem entre os pelos, pulam com facilidade e se reproduzem em velocidade impressionante. Já os carrapatos sobem pelo corpo do cão, fixam a boca na pele e ficam presos por horas ou dias, enquanto se alimentam lentamente.
Ciclo oculto.
Um detalhe que muita gente subestima: a maior parte da infestação não está no pet, mas no ambiente. Estimativas mostram que cerca de 95% do problema fica em ovos, larvas e pupas espalhados por camas, frestas, tapetes e sofás.
Você vê poucas pulgas no cachorro, porém dezenas de ovos já caíram no chão, iniciando uma nova geração. Com os carrapatos, algo semelhante acontece, porque fêmeas bem alimentadas podem depositar milhares de ovos em rachaduras, jardins e quintais.
Por isso, qualquer plano eficaz de controle precisa tratar ao mesmo tempo o animal e a casa. Caso contrário, o ciclo recomeça em poucas semanas.
Riscos.
Coceira é só a ponta do iceberg. Quando não controlados, esses parasitas causam dermatites, anemias, infecções secundárias e várias doenças infecciosas, algumas zoonóticas.
Pulgas podem provocar dermatite alérgica à picada, especialmente em cães sensíveis, que desenvolvem feridas, perda de pelo e infecções de pele. Além disso, elas podem transmitir vermes intestinais.
Carrapatos, por sua vez, estão diretamente ligados à babesiose, erliquiose e outras hemoparasitoses que atacam o sangue e podem levar o animal a risco de morte, se o tratamento atrasar.
Doenças.
Entre as doenças mais importantes transmitidas por carrapatos em cães, destacam‑se algumas que são muito comuns no Brasil.
- Erliquiose: causada principalmente pela bactéria Ehrlichia canis, transmitida pelo carrapato marrom do cão. Provoca febre, apatia, anemia, perda de apetite, sangramentos e pode se tornar crônica.
- Babesiose: infecção por protozoários Babesia que destroem glóbulos vermelhos. Gera mucosas pálidas, fraqueza, febre, icterícia e risco intenso de complicações.
Essas doenças aparecem com frequência em atendimentos veterinários e representam uma parte relevante dos casos de parasitoses em cães.
Sinais.
Observar o dia a dia do cachorro é a primeira forma de defesa. Alguns sinais chamam atenção rapidamente.
- Coceira intensa, principalmente na região lombar, cauda e pescoço.
- Pequenos pontos pretos entre os pelos, parecidos com sujeira de terra (fezes de pulga).
- Caroços pequenos e duros na pele, principalmente em orelhas, pescoço, axilas e entre os dedos, que podem ser carrapatos fixados.
- Feridas, vermelhidão e crostas pela pele inteira, indicando dermatite avançada.
- Cansaço, mucosas pálidas, febre, perda de peso ou apetite reduzido, sugerindo doença transmitida.
Ao perceber esses sinais, a orientação é procurar o veterinário para diagnóstico e plano completo de ação.
Tratamento.
O tratamento envolve dois alvos: o que está no cão e o que está no ambiente. Em animais, são utilizados produtos licenciados, como comprimidos orais, pipetas tópicas, sprays, banhos carrapaticidas e coleiras antiparasitárias.
Antipulgas e carrapaticidas modernos oferecem ação prolongada, variando de semanas a meses, dependendo do princípio ativo e da formulação. Muitos atuam tanto na pulga adulta quanto em estágios imaturos, quebrando o ciclo.
Quando já existe doença transmitida por carrapato, o veterinário pode associar antiparasitários específicos, antibióticos e suporte clínico, seguindo protocolos que mudam conforme o agente envolvido e a gravidade.
Ambiente.
Sem cuidar do ambiente, a infestação volta. Por isso, parte do tratamento sempre inclui limpeza e controle no local onde o pet vive.
Medidas recomendadas incluem:
- Aspiração frequente de tapetes, sofás, frestas e rodapés, removendo ovos e larvas antes que se tornem adultos.
- Lavagem regular de caminhas, mantas e brinquedos de tecido com água quente e sabão.
- Uso orientado de inseticidas específicos em áreas críticas, sempre seguindo rótulo e orientação profissional, para evitar intoxicações em pessoas e animais.
Em quintais, é importante manter a grama baixa, remover o acúmulo de folhas e reduzir abrigos naturais de carrapatos.
Prevenção.
Quando o assunto é pulga e carrapato, prevenção contínua costuma ser mais barata e segura do que enfrentar surtos. Não é exagero dizer que o melhor tratamento é aquele que impede a infestação.
Produtos preventivos incluem:
- Coleiras antipulgas e carrapaticidas, com proteção que pode durar vários meses.
- Pipetas de uso tópico, aplicadas na pele, com ação mensal ou bimestral.
- Comprimidos palatáveis, que agem de dentro para fora e costumam ter excelente eficácia.
A escolha do produto ideal depende de idade, peso, saúde geral e estilo de vida do cão, motivos pelos quais a consulta ao veterinário é indispensável.
Hábitos.
Além dos produtos, alguns hábitos diários ajudam muito a manter o pet protegido.
- Escovação regular, que remove parasitas antes da fixação e permite inspeção da pele.
- Banho com shampoos apropriados, sem exagero de frequência para não prejudicar a pele.
- Checagem cuidadosa após passeios, especialmente em patas, entre os dedos, orelhas, axilas e virilhas.
- Evitar áreas de vegetação alta, terrenos abandonados e locais conhecidos por infestação.
Essas práticas, quando combinadas aos antiparasitários, reduzem drasticamente a chance de problemas sérios.
Mitos.
Receitas caseiras, pausas na prevenção e confiança excessiva em “truques naturais” frequentemente colocam cães e famílias em risco.
Alguns pontos importantes:
- Pausar o uso de antiparasitários porque “o inverno chegou” abre portas para novas infestações, já que pulgas e carrapatos sobrevivem o ano inteiro em muitas regiões do Brasil.
- Apenas vinagre, óleos essenciais ou sabonetes comuns não substituem produtos licenciados; em alguns casos, podem ainda causar irritação de pele.
- Ver pouca pulga no pelo não significa que o problema é pequeno, já que ovos e larvas estão no ambiente, muitas vezes invisíveis ao olho desatento.
Assim, a recomendação de especialistas é clara: basear a proteção em ciência, não em mitos.
Tabela resumo.
| Tema | Ação essencial | Por quê? |
|---|---|---|
| Animal | Antipulgas e carrapaticida contínuos | Quebra o ciclo no pet e reduz transmissões |
| Ambiente | Aspiração, lavagem e controle em quintais | Elimina ovos, larvas e adultos escondidos |
| Saúde | Acompanhamento veterinário e exames | Detecta doenças como erliquiose e babesiose cedo |
| Hábitos | Escovar, checar após passeios, evitar áreas ruins | Reduz contato com parasitas e infestações recorrentes |
| Informação | Descartar mitos e seguir orientação técnica | Garante prevenção eficiente e segura |
Pulgas e carrapatos não precisam fazer parte da rotina do seu cachorro. Com prevenção bem planejada, cuidado com o ambiente e olhar atento aos primeiros sinais, você mantém seu pet protegido e sua casa livre desses invasores.


