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Por que meu cachorro gosta tanto de roer osso?(e o que dar no lugar)

Roer osso

Seu cachorro gosta tanto de roer osso porque mastigar é um instinto ancestral que alivia estresse, fortalece a boca e fornece prazer, mas os ossos tradicionais podem ser perigosos e já existem alternativas bem mais seguras.

Amor ancestral

Quando o seu cachorro pega um “osso” e se afasta para roer em paz, ele revive um comportamento que acompanha os cães desde antes da domesticação, quando os ancestrais canídeos disputavam cada pedaço de uma carcaça na natureza. Mastigar, então, não é apenas um hábito divertido, mas uma necessidade comportamental profundamente enraizada no cérebro e no corpo dos cães.

Instinto de mastigar

Mastigar ajuda o cão a gastar energia mental, aliviar ansiedade e canalizar frustração, o que explica por que tantos pets roem móveis, chinelos e o que aparecer pela frente, quando não recebem estímulos adequados. Ao mesmo tempo, esse comportamento funciona como enriquecimento ambiental, deixando o dia mais interessante e diminuindo a chance de comportamentos destrutivos.

Além disso:

  • A mastigação fortalece mandíbula e músculos da região da cabeça.
  • O atrito mecânico pode auxiliar na higiene bucal, removendo parte da placa bacteriana.
  • Em filhotes, mastigar alivia o desconforto da troca de dentes, que pode ser bastante incômoda.

Riscos dos ossos

Apesar da imagem romântica do cachorro com o osso entre as patas, boa parte dos ossos oferecidos na rotina representa riscos importantes à saúde. Hoje, muitos veterinários preferem desencorajar o uso de ossos tradicionais como petisco de costume, justamente porque as complicações podem ser graves.

Entre os principais problemas:

  • Lascas pontiagudas podem perfurar boca, esôfago, estômago ou intestino.
  • Pedaços grandes podem causar engasgos e obstruções intestinais, exigindo cirurgia de emergência.
  • A força aplicada ao roer pode fraturar dentes, causando dor intensa e necessidade de tratamento odontológico.
  • Ossos crus ou mal armazenados podem carregar bactérias, levando a quadros de gastroenterite e intoxicações.

Por isso, a ideia de que “osso é sempre bom para o dente” vem sendo substituída por abordagens mais modernas, que priorizam a segurança e indicam alternativas específicas para a higiene bucal.

O que evitar

Nem todo osso é igual, mas vários tipos comuns na rotina do tutor brasileiro são considerados de alto risco e costumam ser desencorajados. Saber quais evitar é um passo essencial para proteger o seu cão de emergências desnecessárias.

Tipos mais problemáticos:

  • Ossos de frango e outras aves
    • Quebram em lascas finas e duras, facilmente ingeridas e difíceis de eliminar.
    • Estão entre os maiores responsáveis por perfurações e engasgos atendidos em emergência.
  • Ossos cozidos em geral
    • Ficam mais secos e quebradiços, aumentando a chance de fragmentos pontiagudos.
    • Diversos especialistas recomendam evitar ossos cozidos de qualquer espécie.
  • Ossos crus sem controle
    • Oferecidos diretamente do açougue, podem carregar alta carga bacteriana.
    • Se o manejo de congelamento e a higiene falhar, o risco de infecções intestinais cresce bastante.
  • Ossos de couro e “ossinhos” muito industrializados
    • Podem conter corantes, conservantes e produtos químicos associados a alergias, vômitos e diarreias.
    • Alguns amolecem de forma irregular, formando pedaços grandes que o cão engole quase inteiros.

Ossos crus

A pergunta “osso cru pode?” é frequente e, na prática clínica e na literatura atual, a resposta permanece cercada de nuances. Embora alguns tutores relatem boa experiência com ossos crus grandes, especialmente bovinos, a verdade é que os riscos não desaparecem completamente.

Ossos crus longos e grandes, adequados ao porte do cão, tendem a lascar menos do que ossos cozidos ou ossos pequenos, como os de aves. No entanto, há relatos de engasgos, fraturas dentárias e obstruções intestinais mesmo com esse tipo de osso, além do risco sanitário inerente a qualquer alimento cru de origem animal.

Por outro lado, um cão alimentado com ração completa ou dieta natural balanceada não necessita de ossos inteiros para “fechar” o valor nutricional da refeição, já que cálcio e fósforo são calculados dentro da própria formulação da dieta. Assim, se o tutor ainda deseja insistir em ossos crus, a recomendação é que isso seja feito apenas com orientação veterinária individualizada e sempre, sem exceção, com supervisão direta durante a mastigação.

Alternativas seguras

A boa notícia é que o instinto de mastigar pode ser cuidado de forma muito mais segura por meio de petiscos mastigáveis e brinquedos específicos, desenvolvidos justamente para isso. Essas alternativas não eliminam todo risco, mas o reduzem significativamente quando comparadas aos ossos tradicionais.

Opções de petiscos mastigáveis:

  • Petiscos dentais funcionais
    • Desenvolvidos para estimular mastigação prolongada e auxiliar na remoção mecânica de placa.
    • Alguns incluem ingredientes ativos que contribuem para o hálito e para o controle de tártaro, dentro de um uso regular.
  • Mastigáveis naturais certificados
    • Produtos desidratados e padronizados, com controle de qualidade e sem uso de substâncias como formol.
    • Quando escolhidos no tamanho correto para o porte do cão, tornam a experiência de roer mais previsível e segura.
  • Petiscos vegetais ou à base de amido
    • “Ossos” e palitos feitos de féculas ou outras bases vegetais possuem maior digestibilidade e não levam couro cru na formulação.
    • Podem colaborar com a saúde bucal ao mesmo tempo, em que reduzem o risco de obstruções causadas por pedaços de couro.

Brinquedos certos

Além dos petiscos comestíveis, brinquedos de mastigação são aliados poderosos para canalizar o comportamento de roer para algo seguro e duradouro. Com a escolha certa, eles transformam o “vício em osso” em uma rotina de brincadeiras saudáveis.

Destaques:

  • Mordedores de borracha resistente
    • Ideais para enriquecer o ambiente, reduzir tédio e diminuir comportamentos destrutivos em casa.
    • Alguns modelos permitem recheio com ração úmida ou pastinhas, o que torna a experiência mais desafiadora e recompensadora.
  • Brinquedos de nylon e materiais específicos
    • Projetados para resistir à mastigação intensa, possuem texturas que ajudam a massagear a gengiva.
    • A escolha deve considerar o peso, porte e o “estilo de mordida” do cão, já que animais muito fortes podem exigir linhas super resistentes.

Como escolher

Na prática, a escolha do que oferecer no lugar do osso precisa levar em conta o cão real que existe na sua frente, e não apenas recomendações genéricas. Porte, idade, histórico de saúde e comportamento de mastigação fazem toda a diferença na hora de montar essa rotina.

Algumas orientações úteis:

  • Consultar o veterinário ou odontólogo veterinário é importante para avaliar riscos dentários e digestivos individuais antes de definir o tipo de mastigável ideal.
  • Cães ansiosos, que engolem tudo muito rápido ou costumam destruir brinquedos em minutos, devem receber produtos mais seguros, com textura adequada e sempre sob supervisão.
  • Independentemente da escolha, o tutor deve observar qualquer sinal de engasgo, dificuldade para engolir, vômitos, sangue na boca ou dor, e buscar atendimento veterinário se notar algo diferente.

Orientação final

Em vez de pensar “meu cachorro só é feliz ao roer osso”, vale enxergar a mastigação como uma necessidade que pode ser atendida por outros caminhos, muito mais seguros. Com orientação profissional, petiscos mastigáveis adequados e brinquedos planejados para roer, semelhante ao osso, o tutor protege a saúde do pet sem abrir mão daquele momento de prazer em que o cão se deita, segura o objeto entre as patas e mergulha na própria natureza.

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Maria Sousa

Apaixonada por animais, dedico-me a compartilhar informações práticas e de qualidade sobre cuidados com os pets. Como criadora desse blog especializado no tema, ofereço dicas e curiosidades para facilitar a vida dos tutores e promover o bem-estar dos bichinhos.