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Peso ideal: o que o corpo do seu pet está tentando contar na balança

Balança

Antes da balança, vem o corpo; aprenda a ler costelas, cintura e barriga do seu pet para identificar sobrepeso ou magreza excessiva e entender o que o peso ideal realmente significa. É na curva da cintura, na forma como as costelas se escondem (ou aparecem demais) e no jeito como a barriga balança quando o pet corre que os primeiros sinais de descompasso começam a sussurrar.​

Ler esses sinais é como aprender uma nova língua: a linguagem silenciosa do corpo dizendo, todo dia, se o peso está a favor da saúde — ou começando a trabalhar contra ela.​


Por que não basta olhar apenas o número da balança

Dois cães podem pesar 10 kg e ter histórias completamente diferentes: um atlético, com músculos firmes; outro, com gordura acumulada no tórax e na barriga. O mesmo vale para gatos: 5 kg podem ser excesso para um, mas adequados para outro, dependendo de porte, raça, ossatura e idade.​

Por isso, veterinários usam o Escore de Condição Corporal (ECC), uma escala que avalia gordura e forma do corpo, e não apenas o peso bruto. O tutor não precisa decorar a escala técnica, mas pode aprender a fazer uma “versão caseira” que muda o jogo.​


Escore corporal em casa: o teste das mãos e dos olhos

Guias de ECC costumam usar uma escala de 1 a 9, em que 1 é caquético (muito magro), 5 é ideal e 9 é obesidade grave. Adaptando para o dia a dia, o tutor pode observar três pontos-chave: costelas, cintura e barriga.​

  • Costelas: em um pet com escore ideal, as costelas não “saltam aos olhos”, mas podem ser sentidas com facilidade ao passar a mão, com uma leve camada de gordura por cima.​
  • Cintura: vista de cima, deve haver uma ‘entrada’ discreta logo após as costelas, antes do quadril, sugerindo uma silhueta em leve ampulheta.​
  • Barriga: vista de lado, a linha da barriga costuma subir um pouco em direção às patas traseiras, e não formar um volume arredondado pendente.​

Quando costelas somem completamente ao toque, a cintura desaparece e a barriga se aproxima do chão, o corpo já está contando que há gordura demais em cena.​


Sinais de que o peso passou da conta

Além da forma do corpo, o comportamento e a rotina mostram pistas de sobrepeso e obesidade. Entre os sinais mais comuns estão:​

  • Cansaço rápido em caminhadas curtas ou durante brincadeiras que antes eram tranquilas.​
  • Dificuldade para subir escadas, entrar no carro ou pular no sofá/cama.​
  • Respiração mais ofegante que o normal em esforços leves ou em dias amenos.​
  • Menos disposição para brincar e mais tempo deitado, mesmo em animais antes ativos.​

Esses sinais não significam apenas “preguiça”: muitas vezes refletem o esforço extra que articulações, coração e pulmões precisam fazer para carregar um corpo acima do peso ideal.​


Riscos silenciosos da obesidade em cães e gatos

A obesidade é hoje uma das doenças nutricionais mais comuns em cães e gatos, associada a uma série de problemas crônicos. Estudos e entidades veterinárias destacam riscos como:​

  • Doenças osteoarticulares (artrose, sobrecarga em joelhos, quadris e coluna).​
  • Doenças cardíacas e respiratórias, com piora de qualidade de vida.​
  • Maior chance de diabetes mellitus, especialmente em gatos.​
  • Problemas urinários, hepáticos e redução da expectativa de vida.​

Ou seja, o “só mais um petisco” e o “ele está fofinho assim” podem estar, aos poucos, encurtando o tempo e a qualidade de vida ao lado do tutor.​


Quando magreza demais também é alerta

Do outro lado do espectro, corpos muito magros também contam uma história preocupante. Em animais com escore corporal muito baixo, é possível ver ou sentir com muita facilidade: costelas marcadas, vértebras dorsais, ossos da bacia e pouca ou nenhuma cobertura muscular.​

Esses sinais podem estar associados a dietas inadequadas, parasitas, doenças crônicas, problemas de absorção de nutrientes ou outras condições que exigem avaliação veterinária. O corpo magro demais não é “fitness”: é um pedido de ajuda.​


Como pesar e acompanhar sem paranoia

A balança continua importante — desde que usada em conjunto com a leitura do corpo. Algumas orientações práticas:​

  • Pesar o pet com frequência (por exemplo, uma vez por mês) em balança de uso doméstico adaptada ou na clínica veterinária.​
  • Registrar o peso e, se possível, tirar uma foto de corpo inteiro (vista lateral e superior) em cada pesagem para comparar ao longo do tempo.​
  • Associar o número com o que as mãos e os olhos mostram: peso estável com aumento de gordura e perda de músculo também merece atenção.​

Esse acompanhamento cria uma espécie de “linha do tempo” do corpo do pet, permitindo agir cedo, antes que os problemas fiquem grandes demais.​


Conversando com o veterinário sobre escore corporal

Avaliar o peso ideal não precisa ser tarefa solitária. Em consultas de rotina, é possível pedir ao veterinário para:​

  • Atribuir um escore corporal (por exemplo, de 1 a 9) e explicar em que faixa o pet se encontra.​
  • Definir, junto com o tutor, uma meta realista (por exemplo, sair de um ECC 7 para 5 em alguns meses).​
  • Ajustar quantidade de ração, tipo de alimento, petiscos e nível de atividade física de acordo com essa meta.​

Assim, o corpo deixa de ser apenas motivo de comentário (“engordou”, “emagreceu”) e vira um parâmetro clínico acompanhado com propósito.​


Pequenos ajustes que o corpo agradece

Na prática, mudanças no corpo começam por ajustes pequenos, mas consistentes na rotina. Alguns exemplos:​

  • Revisar a medida real de ração diária, usando copos medidores ou balança, e não “no olho”.​
  • Cortar ou reduzir petiscos calóricos extras (pedaços de pão, queijos, restos de comida humana) que somam calorias silenciosas.​
  • Aumentar, com orientação profissional, o nível de atividade física compatível com idade e condição de saúde.​

Esses ajustes, mantidos ao longo de semanas e meses, começam a redesenhar a silhueta: cintura reaparece, respiração alivia, a disposição muda. O corpo conta essa história antes mesmo de qualquer exame.​

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Maria Sousa

Apaixonada por animais, dedico-me a compartilhar informações práticas e de qualidade sobre cuidados com os pets. Como criadora desse blog especializado no tema, ofereço dicas e curiosidades para facilitar a vida dos tutores e promover o bem-estar dos bichinhos.