Perigos nas ruas: carros, venenos, calor e fogos podem transformar o passeio em risco. A princípio, parece inofensivo, veja os principais perigos na rua para cães e como deixar as saídas mais seguras.
Cena bonita
Guia na mão, coleira ajustada.
O mundo lá fora chamando.
Na nossa cabeça, o passeio é sinônimo de liberdade, alegria, foto bonita para postar.
Mas, para o cão, ele é um mergulho num mar de cheiros, sons e estímulos, alguns maravilhosos, outros perigosos.
Logo, a cada esquina, existem carros apressados, chão quente, lixo, comida no chão, poças suspeitas, cães soltos, rojões, pessoas distraídas no celular.
Proteger o cão não é tirar a graça do passeio; é dirigir esse filme com responsabilidade.
Atropelamento.
Um dos maiores riscos na rua é o atropelamento.
Ele acontece em uma fração de segundos.
Situações comuns:
- guia longa demais perto de avenidas.
- cão solto “porque ele obedece”.
- porta de casa aberta direto para a rua.
- tutor distraído mexendo no celular enquanto o cão se aproxima da pista.
Isso acontece porque os cães podem se assustar com buzinas, fogos, outros cães ou motos, e disparam na direção errada. Mesmo animais treinados podem se desorganizar em momentos de susto.
Prevenção básica:
- sempre usar guia e coleira ou peitoral bem ajustados.
- manter o cão ao lado, com guia curta perto de ruas movimentadas.
- não soltar o animal em calçadas, vagas de estacionamento ou entradas de garagem.
Envenenamento.
Infelizmente, envenenamento estão principalmente em: calçadas, praças e canteiros é uma realidade em várias cidades brasileiras.
Casos recentes mostram cães mortos após ingerir alimentos ou substâncias deixadas propositalmente em locais públicos salsichas, pedaços de carne, ração e até líquidos contaminados.
Além disso, há risco de intoxicação acidental com iscas para ratos, produtos químicos, óleo de motor e outros resíduos.
Para reduzir o risco:
- não deixar o cão comer nada do chão durante o passeio.
- usar focinheira tipo cesta, quando necessário, para cães que fuçam e engolem tudo muito rápido.
- evitar áreas com histórico de envenenamento ou lixo acumulado.
- ficar atento a alimentos “estranhos” em canteiros e calçadas.
Sinais de envenenamento podem incluir vômitos, salivação intensa, tremores, convulsões, apatia, dificuldade para andar. É emergência: o cão precisa de atendimento veterinário imediato.
Calor e asfalto
No verão, o passeio pode virar queimadura.
O asfalto atinge temperaturas muito mais altas que o ar, e isso queima as almofadas das patas.
- evitar passeios nos horários mais quentes do dia.
- testar o chão com as costas da mão: se você não consegue manter a mão ali por alguns segundos, está quente demais para o cão.
Além das patas, o corpo inteiro sofre com o calor: risco de desidratação e hipertermia, principalmente em cães de focinho curto, obesos, idosos ou com problemas cardíacos.
Sempre ofereça água fresca, faça pausas na sombra e, se o cão começar a ofegar demais, diminuir o ritmo e procurar um lugar mais fresco.
Fogos e barulho.
Fogos de artifício, rojões, explosões de obras, trânsito pesado tudo isso pode ser um gatilho de pânico, devido aos barulhos envolvidos.
Cães com sensibilidade a ruídos podem:
- tentar fugir desesperadamente.
- se soltar da guia.
- se jogar em direção a portas, carros, grades.
- ter crises de pânico com tremores, salivação e desorientação.
Portanto, evite passeios em horários ou locais com previsão de fogos (jogos, festas, viradas). Portanto, se o cão já tem histórico de fobia, converse com um veterinário sobre estratégias(medicação, dessensibilização, manejo) e considere rotas mais tranquilas e horários menos barulhentos.
Cães soltos.
Cães soltos na rua representam risco em duas direções, por exemplo: para o seu cão e para eles mesmos.
Podem ocorrer:
- brigas.
- perseguições.
- acidentes com gente tentando separar cães.
- transmissão de doenças, se o animal não for vacinado.
Por isso, que mesmo um cão “bonzinho” pode reagir com medo ou agressividade sob estresse.
E o seu cão, se for inseguro ou reativo, pode entrar em conflito com um animal que se aproxima sem convite.
Prevenção:
- evitar locais conhecidos por grande número de cães soltos, se seu cão não lida bem com isso.
- cruzar de calçada, mudar de direção ou usar o próprio corpo como barreira suave, quando um cão desconhecido se aproxima.
- nunca soltar seu cão perto de ruas ou em áreas abertas sem avaliação real de segurança e controle de retorno.
Lixo e restos.
Lixos como, por exemplo: sacolas, ossos, espetos, pedaços de plástico, restos de churrasco, cacos de vidro, na rua está cheia de “brinquedos” perigosos.
O cão fareja, acha cheiro de gordura e vai direto naquilo que pode cortar, perfurar ou intoxicar.
Espetos, palitos e ossos podem causar perfurações graves na boca, garganta e sistema digestivo.
- manter o cão próximo, principalmente em áreas com muito lixo
- ensinar comandos como “deixa” e “solta”
- evitar que ele tenha acesso livre a sacolas, pilhas de lixo ou sacos rasgados.
Equipamentos.
Coleira frouxa e ainda mais velha que é roteiro pronto para acidente e mais perigos.
Pontos de atenção:
- peitoral ou coleira sempre ajustados ao corpo (não pode escapar pela cabeça).
- mosquetão em bom estado, sem ferrugem ou travas falhas.
- guia de tamanho adequado ao ambiente (curta em locais movimentados, mais longa apenas onde é realmente seguro).
Entretanto, em alguns contextos (cães de grande porte, legislação local, reatividade), o uso de focinheira própria é medida de segurança para o cão, para outras pessoas e para outros animais.
Focinheira, tipo cesta, permite que o cão ofegue, beba água e receba petiscos enquanto continua protegido.
Distração humana.
Um risco pouco falado: é do tutor distraído, principalmente quando mexe no celular, olhar vitrines, conversar sem olhar o cão faz com que sinais importantes sejam ignorados:
- o cão pegando algo do chão.
- o carro saindo de uma garagem.
- o cachorro solto virando a esquina.
- o buraco no chão ou o vidro quebrado à frente.
Passeio seguro exige presença.
São poucos minutos por dia em que o tutor olha o mundo pela linha do focinho e toma decisões ativas.
Clima e ar.
Além do calor, há outros fatores ambientais.
Poluição intensa, fumaça de queimadas e ar muito seco prejudicam a saúde respiratória de cães, sobretudo os mais sensíveis.
Ou seja, em dias de fumaça e qualidade de ar ruim, vale reduzir o tempo de passeio e escolher horários de ar mais fresco, como início da manhã.
Chuva também pode esconder armadilhas, como, por exemplo, poças com óleo, produtos químicos ou buracos encobertos.
Nesses dias, caminhar com mais atenção e em rotas conhecidas ajuda.
Roteiro mais seguro
Você não precisa transformar o passeio em missão militar, entretanto pequenas escolhas já mudam muito:
- escolher horários mais frescos e tranquilos.
- planejar rotas conhecidas, com menos fluxo de carros.
- levar água e, se necessário, focinheira, tipo cesta.
- ficar atento ao chão, ao entorno e ao corpo do seu cão.
- usar equipamentos adequados ao porte e ao temperamento dele.
O passeio continua leve, mas agora com um diretor que sabe o que está fazendo.
Quando o passeio vira cuidado.
Em resumo, o passeio é mais do que “gastar energia”.
É um dos principais momentos de saúde física e emocional do cão.
Todavia, um pouco de consciência, ele deixa de ser uma roleta de riscos e passa a ser aquilo que sempre deveria ter sido:
Em resumo, um encontro diário entre o mundo e o seu cão, mediado por alguém que sabe que está segurando mais do que uma guia, está segurando uma vida.


