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Perigos em casa: o que ameaça seu cão em silêncio

Perigos

Perigos em casa, isso mesmo, parece inofensivo, mas, escadas, produtos de limpeza, plantas e objetos comuns podem ser perigosos para cães. Veja os principais riscos em casa e como prevenir acidentes com seu pet.

Casa cenário.

A casa parece perfeita. Piso limpo, cheiro de desinfetante, sofá arrumado, janela aberta.

Aos nossos olhos, é conforto.
Entretanto, para um cão curioso, é um cenário cheio de armadilhas invisíveis: fios, sacos plásticos, escadas, plantas, produtos de limpeza, portas e janelas sem proteção.

Contudo, por trás de muitos acidentes graves com pets, não há maldade, há descuido, hábito automático e a impressão de que “aqui em casa não acontece”.

Quedas e escadas.

Ou vilão são as escadas, varandas e desníveis são protagonistas silenciosos de quedas. Principalmente filhotes, cães idosos, com baixa visão ou com problemas articulares correm mais risco de:

  • escorregar em degraus lisos.
  • tropeçar em tapetes soltos.
  • cair de degraus altos ou mezaninos.
  • despencar de sacadas e janelas sem tela.

Logo, as consequências vão de contusões leves a fraturas, luxações, lesões de coluna e traumas graves. Medidas simples ajudam muito:

  • instalar portões em escadas para filhotes e cães com dificuldade de locomoção.
  • usar tapetes antiderrapantes ou fitas em degraus escorregadios.
  • colocar telas em janelas e varandas, especialmente em apartamentos.

Produtos de limpeza.

Água sanitária, desinfetantes, detergentes, limpadores multiuso, desengordurantes: quase todo lar tem. Portanto, para cães, porém, essas substâncias podem causar irritação, queimaduras, vômitos, problemas respiratórios e intoxicações graves se ingeridas ou inaladas em excesso.

Riscos comuns incluem:

  • baldes com água de limpeza ao alcance do cão.
  • panos encharcados deixados no chão.
  • produtos guardados em armários baixos sem trava.
  • piso ainda molhado com produto concentrado e o cão lambendo as patas depois.

Bons hábitos:

  • guardar produtos em armários fechados.
  • enxaguar bem pisos e superfícies após a limpeza.
  • evitar que o cão circule em áreas recém-limpas com produto forte até secar totalmente.

Cozinha e alimentos.

A cozinha é uma mistura de paraíso de cheiros e campo minado porque contém perigos comuns:

  • restos de comida gordurosa ou temperada.
  • ossos cozidos (que quebram em lascas).
  • cebola, alho, chocolate, uva, adoçante, xilitol, massas cruas, álcool, entre outros alimentos tóxicos para cães.
  • panelas quentes nas bordas do fogão.
  • facas e utensílios cortantes acessíveis.

O lixo, por exemplo, é um capítulo à parte: latas, ossos, plásticos, espetos, palitos e restos de alimento estragado são alvos frequentes de exploração canina.

Recomendações:

  • usar lixeiras com tampa e, se possível, fora do alcance do cão.
  • não deixar alimentos perigosos sobre a mesa ou bancadas baixas.
  • manter atenção redobrada durante o preparo de refeições, com o cão por perto.

Fios e tomadas

Cabos de carregador, extensões, fios de TV, computador e eletrodomésticos podem parecer brinquedo de roer, principalmente para filhotes.

Morder fios traz risco de:

  • choque elétrico
  • queimaduras na boca
  • arritmias
  • parada cardiorrespiratória em casos graves

Além disso, fios soltos aumentam risco de enroscar, puxar aparelhos e causar quedas ou esmagamentos.

Medidas básicas:

  • organizar fios com canaletas, passa cabos e protetores.
  • evitar extensões “sobrando” pelo ambiente.
  • usar protetores de tomada em casas com filhotes muito curiosos.

Plantas tóxicas

Muitas plantas ornamentais comuns são tóxicas para cães. Entretanto, são convidativas aos pets, principalmente gatos, para brincar.


Entre elas, destacam-se, por exemplo: comigo-ninguém-pode, tinhorão, costela-de-adão, lírios, algumas espécies de copo-de-leite, entre outras.

Ao mastigar folhas, flores ou raízes, o cão pode apresentar:

  • salivação intensa.
  • vômitos.
  • diarreia.
  • inchaço de boca e língua.
  • dificuldade para respirar.
  • alterações cardíacas, em casos mais graves.

Contudo, vale sempre checar se as plantas de casa constam em listas de espécies tóxicas para pets e, em caso de dúvida, mantê-las fora de alcance ou substituí-las por espécies seguras.


Pequenos objetos

Sala, quarto, escritório: contudo, todos podem esconder armadilhas em miniatura.

Perigos frequentes:

  • moedas.
  • pilhas e baterias.
  • remédios.
  • brinquedos pequenos de criança.
  • agulhas, alfinetes, clipes.
  • elásticos, botões, tampinhas, peças de metal ou plástico.

Engolir esses objetos pode causar engasgos, perfurações ou obstruções intestinais que exigem cirurgia.

Por isso, manter superfícies organizadas e evitar deixar pequenos itens no chão ou em mesas baixas faz uma diferença enorme, na prática.


Banheiro e lavanderia

Banheiros e áreas de serviço reúnem vários riscos em um só espaço, isso porque contém cheiros familiares que podem causar curiosidades.

Alguns exemplos:

  • medicamentos humanos e veterinários ao alcance do cão.
  • produtos de higiene pessoal, por exemplo: (cremes, perfumes, sabonetes, enxaguantes bucais).
  • baldes e máquinas de lavar com água ou sabão.
  • cestos de roupa com peças pequenas, meias e cordões.

Há relatos de cães que caíram em baldes ou tanques com água e sabão, principalmente filhotes e animais muito pequenos, com risco de afogamento.

Medidas preventivas incluem:

  • manter portas de banheiro e lavanderia fechadas quando possível.
  • guardar remédios e produtos em armários altos ou com trava.
  • nunca deixar máquinas cheias e abertas com o cão desacompanhado por perto.

Piscinas.

Em casas com piscina, o risco de afogamento é real.
Isso porque nem todo cão sabe nadar instintivamente, e mesmo os que sabem podem não conseguir sair sozinhos de bordas altas.

Situações comuns são:

  • cão cai na piscina à noite, sem ninguém ver.
  • escorrega ao correr nas bordas molhadas.
  • tenta beber água da piscina, desequilibra e cair.

Recomendações:

  • usar cercas ou barreiras ao redor da piscina.
  • nunca deixar cães sem supervisão em áreas com água profunda.
  • ensinar, contudo, de forma leve e positiva, rotas de saída (degraus ou rampas específicas).

Erros comuns.

Muitos acidentes domésticos acontecem por padrões repetidos de comportamento humano que poderia ser evitado, como, por exemplo:

Erros frequentes:

  • achar que “ele nunca mexe nessas coisas” e deixar itens perigosos ao alcance.
  • subestimar principalmente a curiosidade de filhotes e de cães recém-chegados.
  • confiar em janelas e varandas sem tela com a frase “ele sabe que é alto”.
  • usar produtos de limpeza muito fortes, mas sem ventilação, e com o cão no ambiente.
  • não revisar a casa do ponto de vista do animal, que vê tudo mais de baixo e com outro foco.

Como tornar a casa pet-safe

Transformar a casa em um lugar mais seguro não exige perfeição, mas atenção.

Alguns passos práticos:

  • fazer um “tour” pela casa na altura do cão, procurando fios soltos, objetos pequenos e pontos de queda.
  • separar um cômodo ou área segura para quando o cão ficar sozinho, de modo que esteja confortável, sem acesso à cozinha, escadas e produtos de risco.
  • manter rotina de organização mínima, principalmente em casas com crianças.
  • revisar periodicamente plantas, armários de limpeza e locais de armazenamento de remédios.

Por isso, é tão importante que faça essas recomendações; pequenas mudanças reduzem muito a chance de acidentes graves.


Quando procurar ajuda.

Sinais de emergência incluem:

  • engasgo, dificuldade para respirar.
  • queda alta com dor evidente, dificuldade para andar, choro.
  • ingestão suspeita de remédio, produto de limpeza ou planta tóxica.
  • vômitos repetidos, diarreia intensa, apatia súbita.
  • convulsões, desmaios, alterações neurológicas.

Nessas situações, o ideal é buscar atendimento veterinário imediatamente e, sempre que possível, levar o rótulo do produto ou planta envolvida.


Casa aliada.

A princípio, uma casa segura não é uma casa “esterilizada” de alegria. Logo, uma casa limpa é onde há um cenário onde o cão pode explorar, brincar, descansar e conviver com a família sem viver em risco constante.

Portanto, quando o tutor enxerga cada cômodo com olhar mais consciente, a casa deixa de ser “cheia de perigos escondidos” e passa a ser uma aliada na saúde física e emocional do cão.

É como ajustar a iluminação de um filme: tudo continua acontecendo no mesmo lugar, mas, agora, o que poderia ficar na sombra vira visível — e, por isso, pode ser cuidado.

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Maria Sousa

Apaixonada por animais, dedico-me a compartilhar informações práticas e de qualidade sobre cuidados com os pets. Como criadora desse blog especializado no tema, ofereço dicas e curiosidades para facilitar a vida dos tutores e promover o bem-estar dos bichinhos.