Meu Pet, Meu Amigo

Mão que engorda

Engorda

Engorda, sim, petiscos a mais, restos de comida e “não resisto a esse olhar” pesam na balança do pet. Veja como os hábitos do tutor ajudam a engordar — ou proteger — cães e gatos. Logo carinho em forma de comida, petiscos em excesso e pouco movimento fazem da mão do tutor um fator decisivo no ganho de peso. Entenda como seus hábitos engordam — ou protegem — o seu pet.

Espelho

Quase sempre, o prato do pet é um reflexo do prato de quem cuida dele. Ou seja, quando o tutor come beliscando o dia todo, usa comida para aliviar estresse e leva uma vida mais parada, é muito fácil que o pote do animal siga o mesmo roteiro: excesso de calorias, poucos limites e pouco movimento.​

Não é falta de amor; é justamente o contrário. Porém, quando o carinho vai quase todo pela comida, essa mesma mão que acaricia também é a mão que, sem perceber, engorda.​


Mimos

Um dos gestos mais comuns é o famoso “só um pedacinho”. Um pedaço de pão no café, um queijinho no almoço, um biscoito à tarde, uma lasquinha de carne no jantar. Sozinhos, parecem inocentes; somados, muitas vezes representam e engorda dezenas de por cento a mais de calorias por dia.​

Pesquisas mostram que tutores que compartilham comida da própria mesa e ainda oferecem petiscos prontos têm maior probabilidade de conviver com cães obesos, justamente pela soma silenciosa desses extras. Em números, estudos apontam correlação positiva entre hábito de compartilhar comida + petiscos e excesso de peso em cães.​


Olhar

Outro gatilho clássico é o olhar. Muitos tutores relatam oferecer comida extra quando o pet “parece triste”, “está entediado” ou “fica me pedindo com o olhar na hora das refeições”. Em uma pesquisa citada na mídia, cerca de 60% dos tutores usavam petiscos quando percebiam o animal solitário ou chateado.​

Assim, a comida passa a ocupar o lugar de consolo, recompensa e até desculpa para aliviar a própria culpa por sair de casa ou ter pouco tempo de interação. Aos poucos, o corpo do pet engorda e carrega no peso o que o tutor carrega nas emoções.​


Petisco

Petiscos podem — e até devem — fazer parte da rotina, mas não de qualquer jeito. Diretrizes de especialistas em nutrição pet recomendam que os petiscos não ultrapassem cerca de 10% das calorias diárias do animal; acima disso, o risco de sobrepeso e desequilíbrios nutricionais cresce bastante.​

O problema é que, na prática, muita gente oferece muito mais do que isso, especialmente quando soma petiscos próprios para pets com restos de comida humana altamente calóricos. Como, Por exemplo, pizzas, bolos, biscoitos e embutidos. Além de calorias em excesso, muitos desses alimentos contêm sal, gordura e ingredientes tóxicos para cães e gatos.​


Prato

Outro ponto é o tipo de alimento de base. Estudos sobre manejo alimentar mostram que tutores que usam muito alimento caseiro desbalanceado, restos da família ou dietas “ad libitum” sem controle de porções têm maior chance de conviver com obesidade em pets.​

Quando o tutor não segue orientação profissional nem calcula a quantidade, é comum que a tigela receba mais “boa intenção” do que necessidade real — principalmente em animais castrados e pouco ativos, que gastam menos energia no dia a dia.​


Ritmo

O estilo de vida do tutor pesa, literalmente, na coleira. Estudos brasileiros indicam que quase metade dos tutores entrevistados não pratica ou raramente prática atividade física, e que esse sedentarismo se conecta a menor estímulo de exercício para os cães também.​

Quando o tutor passa o dia sentado, sai pouco, caminha pouco e não reserva tempo para brincadeiras ativas, o pet vive encaixado nesse mesmo ritmo, acumulando energia não gasta que se transforma em gordura.​


Medo

Há ainda o medo de “deixar com fome”. Muitos tutores enchem demais o pote por não confiarem totalmente nas quantidades indicadas no rótulo ou pelo veterinário, imaginando que “é melhor sobrar do que faltar”.​

Esse excesso, somado aos mimos extras, empurra diariamente a balança para cima. Entretanto, o tutor, por não reconhecer o pet como acima do peso — algo que pesquisas mostram acontecer com até 80% dos responsáveis —, demora a ligar o alerta.​


Culpa

Quando o veterinário fala em obesidade, muitas pessoas sentem culpa e vergonha, como se o diagnóstico fosse um julgamento moral. Essa sensação, porém, atrapalha a solução: em vez de abrir espaço para um plano conjunto, fecha portas e provoca justificativas defensivas.​

Pesquisas sobre comunicação com tutores reforçam que, quando o profissional demonstra empatia e explica a obesidade como doença multifatorial, a adesão ao tratamento e às mudanças de rotina melhora muito. O tutor deixa de se ver como “vilão” e passa a se enxergar como parte essencial da cura.​


Papel

Na prevenção e no tratamento da obesidade, o tutor é tão importante quanto a ração escolhida. Ele decide:​

  • O que entra no pote.
  • O que entra “por fora do pote” (petiscos, sobras, lanchinhos).
  • Quanto tempo o pet passa se mexendo — ou parado.​

Estudos sobre estilo de vida mostram que a atitude do tutor em relação à alimentação e atividade física é determinante para o sucesso de qualquer programa de perda de peso em cães e gatos. Metas claras, pesagens periódicas e reforço positivo quando há progresso ajudam a manter a motivação dos dois lados da coleira.​


Novos gestos

Trocar a “mão que engorda” por uma mão que cuida não significa tirar carinho, e sim mudar o jeito de oferecê-lo. Alguns caminhos possíveis:​

  • Substituir parte dos petiscos calóricos por brincadeiras, carinhos e momentos de atenção exclusiva.​
  • Escolher petiscos próprios para pets, calculando a quantidade para ficar dentro do limite de 10% das calorias diárias.​
  • Reservar horários fixos de passeio ou brincadeiras ativas, em vez de usar sempre comida como solução para tédio ou culpa.​

Assim, o tutor continua presente, mas agora ajudando o corpo do pet a ficar mais leve, e não mais pesado.​

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Maria Sousa

Apaixonada por animais, dedico-me a compartilhar informações práticas e de qualidade sobre cuidados com os pets. Como criadora desse blog especializado no tema, ofereço dicas e curiosidades para facilitar a vida dos tutores e promover o bem-estar dos bichinhos.