Noite explosiva! A contagem regressiva começa, luzes piscam, todo mundo pega a taça para brindar. Lá fora, os primeiros clarões cortam o céu; lá dentro, enquanto as pessoas gritam “feliz ano novo”, muitos cães e gatos entram em modo de sobrevivência. Logo vem, tremores, respiração acelerada, olhos arregalados, tentativa de se esconder ou de escapar pela primeira fresta que encontrarem: essa é a realidade de boa parte dos pets durante os fogos.
Mas aboa notícia é que, com planejamento, dá para transformar essa noite explosiva em algo muito mais suportável para o seu melhor amigo, reduzindo o medo, evitando fugas e prevenindo acidentes.
Medo real
Para muitos cães e gatos, fogos de artifício não parecem comemorações, mas ameaça. Como a audição deles é bem mais sensível que a humana, cada estampido chega como uma explosão muito próxima, que o cérebro interpreta como perigo imediato.
Levantamentos recentes apontam que a maioria dos pets apresenta algum grau de medo de fogos, e muitos já se feriram ou fugiram em viradas anteriores. Portanto, animais com cardiopatias, problemas respiratórios, históricos neurológicos ou ansiedade intensa, esse estresse pode desencadear crises graves e até risco de morte.
Ambiente seguro
Logo antes da virada, o passo mais importante é criar um refúgio seguro dentro de casa, onde o pet possa se esconder e se sentir protegido. Esse lugar pode ser um quarto, banheiro ou área interna onde o animal já gosta de ficar e que seja fácil de isolar do barulho externo.
Boas práticas:
- Fechar portas, janelas e cortinas para abafar o som, diminuir flashes externos e reduzir a chance de fuga.
- Colocar caminha, cobertores e brinquedos favoritos, criando um clima de toca e aconchego.
- Ligar TV, música calma ou ventilador para gerar um ruído de fundo e mascarar parte dos estampidos.
Também vale tirar objetos que possam quebrar ou machucar o animal caso ele se assuste e corra sem direção, como enfeites de vidro ou móveis instáveis.
Ouvidos protegidos
Como o som é o gatilho principal, reduzir o impacto auditivo ajuda bastante. Muitos veterinários sugerem o uso cuidadoso de algodão ou protetores específicos para pets nos ouvidos, sempre inseridos de forma superficial, com parte para fora para facilitar a retirada.
Cuidados essenciais:
- Remover o algodão assim que os fogos diminuírem para evitar desconforto prolongado.
- Observar a reação do pet: se ele ficar ainda mais nervoso tentando tirar o algodão, é melhor retirar e reforçar outras estratégias, como o ambiente seguro.
Em alguns casos, toucas ou faixas macias envolvendo suavemente a cabeça são usadas para abafar sons e dar sensação de contenção, desde que o animal aceite bem esse tipo de acessório.globo
Acolher melhor
Brigar com o pet por estar com medo ou ignorar o sofrimento não resolve e ainda piora o quadro. A recomendação dos especialistas é que o tutor funcione como porto seguro, transmitindo calma e acolhendo a busca por proximidade, já que os animais sentem e refletem o clima emocional da casa.
Na prática:
- Ficar perto do pet nos momentos de maior barulho, falar com voz tranquila e oferecer colo ou carinho se ele buscar contato.
- Respeitar quando o animal preferir se esconder na casinha, debaixo da cama ou no refúgio montado, apenas mantendo a presença por perto.
- Evitar prender em coleiras curtas, correntes ou deixá‑lo amarrado em áreas externas, o que aumenta o risco de acidentes e até enforcamento em situação de pânico.
Brinquedos recheáveis, tapetes de lamber e petiscos seguros ajudam a redirecionar a atenção para uma atividade prazerosa enquanto os fogos acontecem.
Fugas e acidentes
Uma das consequências mais marcantes do medo de fogos são as fugas e os acidentes. Sendo assim, quando entram em desespero, cães e gatos podem pular muros, passar por frestas, atravessar portões, forçar janelas e se machucar seriamente tentando escapar.
Para reduzir esse risco:
- Conferir trincos, portões, janelas e telas antes da noite de Réveillon, garantindo que tudo está bem fechado e resistente.
- Manter o pet dentro de casa durante o período de maior queima de fogos, nunca solto na rua ou apenas no quintal.
- Garantir identificação: coleira com plaquinha atualizada e, idealmente, microchip com cadastro em dia.
Essas medidas não anulam totalmente o risco, mas aumentam bastante a chance de o pet permanecer em segurança e, se algo acontecer, facilitam o reencontro.
Ajuda veterinária
Para alguns animais, manejo ambiental e acolhimento já reduzem bem o estresse. Em outros, o medo é tão intenso que a intervenção médica se torna necessária para evitar crises de pânico, automutilação ou agravamento de doenças pré‑existentes.
O ideal é:
- Conversar com o médico veterinário alguns dias antes da virada sobre a possibilidade de usar ansiolíticos, sedativos leves, nutracêuticos ou feromônios.
- Lembrar que a escolha do medicamento e da dose deve ser individual, considerando idade, peso, histórico clínico e nível de medo.
- Ao longo do ano, investir em dessensibilização sonora e treinamento comportamental com profissionais qualificados, para que cada Réveillon seja menos traumático.
Uso de remédio humano, automedicação ou “restos” de medicações de outros animais são condutas perigosas e podem causar intoxicações graves.
Mitos perigosos
Algumas ideias que circulam nas festas de fim de ano parecem inofensivas, mas colocam a vida dos pets em risco. Entender esses mitos ajuda a dizer “não” com segurança quando alguém der uma “dica” equivocada.
Exemplos de mitos:
- “Dá um gole de bebida que ele relaxa”: álcool é tóxico para cães e gatos, pode causar vômitos, queda de pressão, convulsões e até morte.
- “É só dar o meu calmante, funciona igual”: medicamentos humanos podem ser perigosos para pets, mesmo em doses que parecem pequenas.
- “Solta ele que ele se vira”: em pânico, o animal pode correr para a rua, sofrer atropelamento ou nunca mais ser encontrado.
A melhor proteção continua sendo informação correta, planejamento e acompanhamento com profissionais de confiança.
Rotina planejada
Fogos não são o único fator de estresse na virada; a casa também muda de ritmo. Visitas, portas abrindo e fechando, música alta, cheiros da ceia e mudanças de horário impactam diretamente a sensação de segurança do pet.
Algumas atitudes simples ajudam:
- Fazer o passeio e as necessidades antes do início das comemorações, evitando saídas na hora de maior barulho.
- Orientar convidados a não soltar fogos perto da casa e a não oferecer restos de comida, ossos, chocolate, álcool ou temperos ao animal.
- Manter água fresca disponível e um cantinho de descanso onde o pet possa se afastar da agitação se quiser.
Últimos 10 minutos
Na prática, aqueles minutos entre a contagem regressiva e a queima de fogos são decisivos. Um mini‑checklist ajuda a não esquecer nada quando o relógio estiver quase batendo meia‑noite.
Pouco antes dos fogos:
- Confira se portas, portões, janelas e telas estão bem fechados.
- Leve o pet ao refúgio seguro, com caminha, água e brinquedos à mão.
- Coloque algodão nos ouvidos, se o animal tolerar, e ligue TV ou música.
- Fique por perto, com postura tranquila, evitando, gritos e agitação extra ao lado dele.
Do lado de fora, o céu explode; do lado de dentro, o objetivo é que o seu pet sinta que não está sozinho, que alguém está cuidando de tudo por ele.
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