A princípio, começa com miados altos, roladas no chão e vontade de fugir podem indicar cio em gatas. Entenda os sinais, a frequência e os cuidados e veja por que a castração é tão importante.
O que é o cio na gata?
O cio é a fase fértil do ciclo reprodutivo da gata. Além disso, é quando o corpo dela se prepara para acasalar e, possivelmente, engravidar.
Portanto, nessa fase, hormônios como o estrogênio sobem bastante. Como consequência, aparecem mudanças em:
Mesmo gatas que vivem só em apartamento passam por isso se não forem castradas.
Quando começa?
O primeiro cio costuma surgir entre 6 e 9 meses, mas pode acontecer um pouco antes (por volta dos 4–5 meses) em algumas gatas.
Esse início depende de:
- raça
- condição corporal
- ambiente (luz, presença de outros gatos)
Portanto, uma gata que parece “ainda filhote” já pode estar entrando em cio se não for castrada.
Frequência que acontece.
Aqui está uma grande diferença em relação às cadelas: gatas podem entrar no cio muitas vezes ao ano.
As fontes apontam que gatas não castradas podem:
- entrar no cio a cada 2–3 semanas durante a “temporada reprodutiva”
- apresentar de 12 a 20 ciclos de cio por ano, em condições favoráveis de luz e clima
Isso significa que, enquanto a cadela tende a ter cio duas vezes ao ano, a gata pode passar boa parte do ano indo e voltando desse estado de agitação hormonal.
Quanto tempo dura?
Cada episódio de cio costuma durar:
Se a gata não acasala, o ciclo pode terminar e voltar após um intervalo curto (às vezes apenas 1–3 semanas). Como resultado, o tutor pode ter a impressão de que “ela está sempre no cio”.
Sinais de que a gata está no cio.
Os sinais comportamentais são muito marcantes. Entre eles:
- Miados intensos e prolongados: muitas vezes à noite, parecendo gritos ou lamentos.
- Postura de acasalamento (lordose): a gata arqua as costas, levanta a parte traseira do corpo, afasta a cauda para o lado e pode mexer a ponta do rabo.
- Roladas no chão: ela rola, se esfrega no piso, em móveis e nas pernas das pessoas.
- Carinho “exagerado”: fica mais carente, se esfregando o tempo todo em pessoas, portas e objetos.
- Inquietação: anda pela casa, não consegue relaxar, parece sempre “ligada”.
- Tentativa de fuga: mostra interesse em sair de casa, ficar próxima de portas e janelas, miar para o lado de fora.
- Lambedura da região genital: devido a inchaço e sensibilidade locais.
Ao contrário do que acontece com cadelas, não é esperado sangramento evidente no cio de gatas.
Fases do ciclo.
O ciclo estral das gatas tem algumas fases, mas, para o tutor, o mais importante é entender:
- Proestro/Estro: é quando aparecem os sinais clássicos (miados, roladas, postura de acasalamento). Ela aceita o macho nessa fase e, portanto, pode engravidar.
- Interestro/Anestro: são períodos de pausa entre cios, que podem ser curtos ou mais longos, dependendo da luz, temperatura e presença de machos.
Como consequência do ciclo ser muito influenciado por luz e ambiente (fotoperíodo), gatas que vivem só em casas iluminadas à noite podem ciclar com muito mais frequência do que gatas que vivem em ambientes externos e sazonais.
Porque parece “enlouquecer”
A gata no cio não está “doida” nem com dor insuportável. Ela está sob forte influência hormonal e seguindo um roteiro biológico que diz: “é hora de acasalar”.
Por causa disso:
- os miados intensos são, na verdade, chamados de acasalamento
- a postura em que levanta o quadril é um convite para o macho
- as tentativas de fuga são uma busca ativa por parceiros
Para o tutor, tudo isso é cansativo. Para ela, é uma resposta natural, que, porém, se torna um fardo quando se repete muitas vezes sem chance de gestação ou sem castração.
Riscos do cio repetitivo.
Embora o cio em si faça parte da biologia da gata, ciclos repetidos por anos, sem castração, podem:
- aumentar o estresse crônico (pela agitação e tentativa constante de fugir)
- favorecer brigas e acidentes em gatas que conseguem sair à rua
- elevar o risco de gestação indesejada e superpopulação de filhotes
- contribuir, ao longo do tempo, para problemas reprodutivos e mamários
Além disso, o impacto na convivência humana é grande: noites sem dormir, vizinhos incomodados com miados e dificuldade de manter a gata segura em casa.
Como cuidar dela durante o cio?
Algumas medidas ajudam a atravessar esse período:
- Manter janelas, portas e portinholas bem fechadas, para evitar fugas e entrada de machos.
- Oferecer ambientes mais calmos, com locais elevados e escondidos onde ela possa se sentir segura.
- Brincar de forma mais leve, com varinhas, túneis ou brinquedos de caça, para gastar um pouco da energia sem super estimular.
- Não punir os miados ou as posturas: ela não “escolheu” passar por isso; é hormonal.
Algumas pessoas relatam que manter rotina previsível, diminuir estímulos à noite e oferecer mais interação diurna ajuda a reduzir um pouco a intensidade do comportamento, embora não elimine o cio.
Medicamentos para “cortar cio”: cuidado.
Existem hormônios e injeções que prometem “cortar o cio” sem cirurgia. Porém, o uso indiscriminado desses produtos está associado a aumento importante de problemas como:
Por isso, a maioria dos médicos-veterinários desaconselha o uso desses medicamentos apenas por conveniência, especialmente repetidamente. Em vez disso, a alternativa mais segura a médio e longo prazo costuma ser a castração cirúrgica, feita em idade e condições adequadas.
Castração e prevenção.
A castração (ovariohisterectomia) impede novos cios e gestações. Além disso, é beneficial importante para a saúde:
- reduz em até cerca de 91% o risco de tumores de mama quando feita precocemente
- previne piometra
- diminui comportamentos associados ao cio (miados intensos, tentativas de fuga, marcação)
A idade ideal para castrar deve ser definida com o veterinário, considerando porte, condição de saúde e contexto da gata.
Quando procurar o veterinário?
É importante buscar ajuda profissional se:
- os sinais de cio parecerem muito prolongados ou quase contínuos
- houver secreção vaginal diferente (purulenta, com mau cheiro)
- a gata apresentar apatia, febre, falta de apetite ou aumento do volume abdominal
- você tiver dúvidas sobre se o que está acontecendo é cio ou algum problema de saúde
Além disso, conversar com o veterinário sobre castração e planejamento reprodutivo é uma forma de cuidar da gata e, ao mesmo tempo, do contexto em que ela vive.
Raças diferentes, mesma biologia
Gatas de raças diferentes — como Siamês, SRD (sem raça definida), Persa, Maine Coon ou Bengal — podem variar na idade do primeiro cio, na intensidade da vocalização e na frequência dos ciclos. Entretanto, todas seguem, em essência, a mesma lógica hormonal e comportamental.
Por isso, a mensagem principal vale para todas: cio frequente, sem castração e sem plano reprodutivo responsável, tende a ser desgastante e arriscado para elas e para quem convive junto.


