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Castração em cães e gatos: benefícios, riscos e mitos.

Castração

Castrar ou não castrar? Entenda benefícios, riscos, idade ideal e mitos sobre a castração em cães e gatos, para decidir com consciência e cuidado.

Por que falar de castração?

Castração ainda gera medo, culpa e muitos mitos. No entanto, ela é uma das principais ferramentas de saúde preventiva e controle populacional em cães e gatos urbanos.

Além de evitar ninhadas indesejadas, a cirurgia:

  • reduz o risco de doenças graves
  • melhora alguns comportamentos ligados a hormônios
  • protege fêmeas de problemas uterinos e mamários muito comuns na idade adulta

Por isso, entender o procedimento com calma é essencial antes de decidir.


O que é castração?

Em termos simples, castração é a remoção cirúrgica das gônadas:

  • em fêmeas: retirada de ovários e, geralmente, do útero (ovariohisterectomia)
  • em machos: retirada dos testículos (orquiectomia)

Embora pareça radical, é um procedimento consolidado, com protocolos de anestesia, analgesia e recuperação cada vez mais seguros.

Ainda assim, como qualquer cirurgia, requer:

  • avaliação pré-operatória
  • exames quando indicados
  • acompanhamento pós-operatório cuidadoso

Benefícios para fêmeas.

Nas cadelas e gatas, os benefícios da castração são muito bem documentados:

  • Prevenção de piometra: a castração elimina praticamente o risco dessa infecção uterina grave, muito comum em fêmeas não castradas e potencialmente fatal.
  • Redução drástica do câncer de mama: em cadelas, castrar antes do primeiro cio reduz o risco de tumores mamários para cerca de 1% em comparação com fêmeas inteiras; em gatas, a castração diminui a chance em 40–60% ou mais, especialmente se feita precocemente.
  • Fim de cios, gravidez psicológica e gestações indesejadas: o que evita sofrimento hormonal repetitivo, riscos de parto e aumento da superpopulação.

Por isso, muitas campanhas de saúde pública colocam a castração de fêmeas como prioridade em programas de controle populacional e prevenção de câncer.


Benefícios para machos.

Em machos, os benefícios são diferentes, mas também importantes:

  • Prevenção de tumores testiculares: já que os testículos são removidos, o risco desses tumores cai a zero.
  • Redução de comportamentos territoriais e sexuais indesejados: marcação de urina em excesso, fuga atrás de fêmeas no cio, brigas com outros machos, tentativa insistente de montar em objetos, pessoas ou animais.
  • Menor risco de algumas doenças da próstata: em especial hiperplasia prostática benigna e certas infecções, embora o efeito sobre tumores de próstata ainda seja discutido.

Além disso, animais castrados tendem a se afastar menos de casa e, portanto, sofrem menos com atropelamentos, brigas e envenenamentos.


Idade ideal: não é igual para todos.

Um ponto importante: não existe uma única idade perfeita que sirva para todas as raças, portes e espécies.

Em linhas gerais:

  • Gatos e gatas: podem ser castrados com segurança em torno de 4–6 meses, e muitos especialistas defendem a castração precoce para reduzir riscos de doenças (como leucemia felina em animais que brigam) e de tumores mamários, além de diminuir marcação e escapadas.
  • Cadelas e cães: a recomendação varia mais. Fatores como porte, raça, estilo de vida e risco de certas doenças ortopédicas e tumorais entram na conta.

Por exemplo, algumas revisões apontam que castrar cães gigantes e certas raças (como Golden e Rottweiler) muito cedo pode aumentar o risco de problemas ósseos ou alguns tipos de tumores; nesses casos, muitos veterinários preferem esperar o animal terminar o crescimento.

Assim, a decisão sobre quando castrar deve ser feita em conjunto com o médico-veterinário, considerando:

  • porte
  • raça
  • sexo
  • histórico familiar
  • contexto de vida (cão de apartamento, de quintal, com acesso à rua, etc.)

Riscos e cuidados.

Apesar de ser uma cirurgia rotineira, castração não é isenta de riscos.

Riscos possíveis incluem:

  • complicações anestésicas
  • sangramentos
  • infecções de ferida cirúrgica
  • alterações hormonais com impacto em metabolismo, pelagem e alguns perfis de doença

No entanto, quando:

  • o animal é avaliado previamente
  • o procedimento é realizado por equipe capacitada
  • há analgesia adequada e pós-operatório bem conduzido

Entretanto, os benefícios costumam superar os riscos para a imensa maioria dos pets.


Mitos comuns.

Vários mitos ainda atrapalham a decisão.

  1. “Castrar engorda o animal.”
    A castração pode reduzir um pouco o metabolismo e, às vezes, diminuir a atividade espontânea. Contudo, o ganho de peso é evitável com ajuste de dieta e exercícios. Obesidade está muito mais ligada a alimentação em excesso e sedentarismo do que à castração em si.
  2. “Ele vai perder a ‘masculinidade’ ou ‘personalidade’.”
    A essência do animal — vínculo, carinho, alegria — não é removida na castração. O que tende a diminuir são comportamentos guiados por hormônios sexuais, como fuga atrás de fêmeas, marcação excessiva ou brigas. A personalidade de base continua a mesma.
  3. “Fêmea precisa ter pelo menos uma ninhada para ser saudável.”
    Não há evidência científica que comprove isso. Pelo contrário, quanto mais cedo (em idade adequada) a fêmea é castrada, menor o risco de câncer de mama e piometra.
  4. “Castrar é crueldade.”
    Crueldade é deixar o animal passar por cios incessantes, gestações sucessivas, prenhezes indesejadas, partos de risco, tumores mamários e infecção uterina evitável. A cirurgia é um desconforto pontual; a proteção, porém, é para a vida toda.

E os anticoncepcionais?

A princípio, injeções e comprimidos “anti-cio” ou “anticoncepcionais” para cadelas e gatas são amplamente desaconselhados por entidades de proteção e veterinários.

O uso repetido desses hormônios está associado a:

  • piometra.
  • aumento importante no risco de tumores de mama.
  • alterações sérias de útero e ovários.

Ou seja, podem parecer uma solução rápida, mas cobram um preço alto na saúde. Por isso, a castração cirúrgica é considerada o método mais seguro para prevenção de gestações e de várias doenças reprodutivas.


Castração e comportamento.

É importante ter expectativas realistas.

A castração tende a:

  • reduzir marcação, brigas entre machos, fugas e comportamento sexual insistente
  • ajudar em quadros de agressividade ligada a hormônios ou disputa de fêmeas

Porém, ela não é tratamento mágico para:

  • medo
  • hiperatividade
  • ansiedade de separação
  • fobias e traumas

Esses problemas requerem manejo ambiental, treino, enriquecimento e, às vezes, apoio medicamentoso específico.


Dimensão coletiva: superpopulação.

Além da saúde individual, castrar é uma decisão com impacto coletivo.

Logo, uma única fêmea inteira, seja cadela ou gata, pode gerar dezenas de filhotes ao longo da vida. Se parte deles não for adotada, acaba:

  • nas ruas.
  • em abrigos lotados.
  • em situações de sofrimento e risco constante.

Assim, a castração responsável:

  • reduz abandono
  • diminui atropelamentos, envenenamentos e maus-tratos
  • contribui para uma convivência mais equilibrada entre pessoas e animais nas cidades

Quando conversar com o veterinário.

Mas vale marcar uma conversa com o veterinário para discutir castração quando:

  • o filhote está próximo da idade recomendada para a espécie e o porte.
  • há risco de fuga ou de cruzas indesejadas.
  • a fêmea já apresentou pseudociese, tumor de mama ou problemas uterinos.
  • o macho tem comportamento sexual intenso, marcação excessiva ou escapa com frequência.

Leve suas dúvidas, inclusive medos e mitos que você ouviu. A decisão é sempre mais segura quando é informada.

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Maria Sousa

Apaixonada por animais, dedico-me a compartilhar informações práticas e de qualidade sobre cuidados com os pets. Como criadora desse blog especializado no tema, ofereço dicas e curiosidades para facilitar a vida dos tutores e promover o bem-estar dos bichinhos.