Caixa do seu pet: bolinhas, cordas e pelúcias podem colocar a vida do seu cão em risco. Entenda quais brinquedos são perigosos e veja como escolher opções realmente seguras.
- Cena perfeita.
- Sala arrumada.
- Cão feliz.
- Brinquedo na boca.
Por alguns segundos, é um filme de comercial: tudo parece amor, cuidado e diversão.
Mas, muitas vezes, é ali, na caixa e no meio da sala, que mora um perigo silencioso.
Veterinários alertam que brinquedos inadequados estão entre as causas frequentes de engasgos, obstruções intestinais, fraturas dentárias e feridas na boca em cães.
Bolinhas pequenas.
Bolinhas são clássicas, mas também são campeãs de problemas; principalmente quando são pequenas demais para o tamanho do cão, podem:
- ficar presas na garganta
- obstruir a traqueia
- travar na parte de trás da boca, impedindo a respiração
Muitos casos relatados envolvem bolas de tênis cortadas, bolinhas de borracha macia e até bolas “para crianças” usadas com cães.
Logo, o risco aumenta muito em cães de médio e grande porte que brincam com objetos minúsculos. Sendo assim, segue uma regra simples: se a bola cabe inteira na boca do seu cão, ela é pequena demais.
Cordas e fios.
Brinquedos de corda parecem ótimos: servem para puxar, sacudir, roer.
O problema começa quando os fios começam a se soltar.
Fios longos podem ser engolidos, causando o que chamam de “corpo estranho linear”: uma linha atravessada pelo intestino, que faz o órgão enrugar e pode levar à perfuração.
Portanto, esse tipo de caso costuma exigir cirurgia e pode ser grave. Além disso, partes soltas podem enrolar na língua ou em dentes, causando cortes, necrose e muita dor.
Cordas nas caixas de brinquedos só são relativamente seguras quando:
- são de boa qualidade
- são adequadas ao porte do cão
- são descartadas assim que começam a desfiar
Pelúcias frágeis.
Pelúcias “para humanos” raramente foram projetadas para a mordida de um cão.
Elas rasgam fácil e liberam enchimento, olhos plásticos, botões, zíperes.
Essas peças podem ser engolidas e causar obstruções, principalmente em cães que gostam de “abrir” brinquedos até o fim.
Mesmo pelúcias “para pet”, se muito baratas ou frágeis, oferecem risco similar como, por exemplo:
- Sinais de perigo:
- costuras abrindo
- enchimento aparecendo
- partes duras ou pequenas destacáveis (olhos, nariz, laços)
Ou seja, se o cão é do tipo destruidor, pelúcias só devem ser usadas sob supervisão — e muitas vezes é melhor optar por outros tipos de brinquedo.
Plástico e borracha.
Portanto, brinquedos de plástico ou borracha muito finos podem quebrar em pedaços durante a mordida. Esses fragmentos são engolidos com facilidade, logo, dependendo do tamanho e do formato, podem parar no estômago ou no intestino, causando:
- vômitos
- diarreia
- dor abdominal
- obstrução completa, que exige cirurgia
Borrachas muito duras também podem trincar dentes, principalmente em cães que mordem com muita força.
O ideal é escolher materiais testados, próprios para mordida canina, e sempre respeitar o porte e o estilo de mastigação do cão.
Objetos “improvisados”
Garrafas PET, tampas, bolas de meia, brinquedos de criança, rolhas, chinelos, tampas de pote.
Tudo isso costuma entrar no repertório de brinquedos “improvisados” dentro de casa.
Contudo, muitos desses itens não foram feitos para suportar mordida, tração e saliva, e podem liberar:
- pedaços cortantes
- lascas
- partes pequenas fáceis de engolir
Além do risco físico, alguns materiais podem conter tinta tóxica, resíduos químicos ou substâncias irritantes. O fato de o cão “amar” o objeto não é sinônimo de que ele seja seguro.
Brinquedos barulhentos.
Brinquedos com apito interno (squeaker) podem estimular o instinto de caça e serem divertidos, mas trazem um ponto de atenção.
Cães que gostam de destruir brinquedos vão, mais cedo ou mais tarde, tentar alcançar a peça que faz o barulho. E às vezes esse apito interno, geralmente é um pequeno componente plástico, e facilmente engolido.
Resultado: risco de engasgo ou obstrução intestinal.
Se seu cão é destruidor, brinquedos com squeaker? Então use somente sob supervisão intensa — ou evitados.
Tamanho importa.
Muitos acidentes vêm simplesmente da escolha errada de tamanho. Sendo assim, brinquedos pensados para cães pequenos tornam-se perigosos nas mãos, ou melhor, na boca de cães grandes.
O inverso também é verdadeiro: logo, um brinquedo enorme pode causar desconforto cervical em cães muito pequenos, além de não ser funcional.
Sempre olhe a indicação de porte nas embalagens e, se tiver dúvida, escolha o tamanho maior.
E observe na prática: se o brinquedo desaparece dentro da boca do seu cão, está errado.
Estilo de mordida.
Além do porte, o jeito do seu cão brincar conta muito. Isso porque cães que mastigam devagar tendem a desgastar o brinquedo aos poucos. Já os destrutores procuram o ponto fraco, rasgam, arrancam partes.
Tem também os cães de “puxa-puxa” podem forçar costuras, nós e encaixes. O mesmo brinquedo pode ser relativamente seguro para um animal e perigoso para outro. Por isso, é importante conhecer o estilo do seu cão é tão importante quanto ler a etiqueta.
Sinais de que algo vai mal.
Portanto, mesmo com cuidado, acidentes podem acontecer. Fique atento a:
- tosse, engasgos ou tentativa de vomitar repetida
- respiração difícil ou ruidosa
- salivação excessiva
- vômitos persistentes
- fezes com sangue ou sem saída
- dor abdominal (barriga dura, cão não deixa tocar)
- apatia, falta de apetite
Nesses casos, procure atendimento veterinário imediatamente e informe qual brinquedo estava em uso. De modo algum tente “puxar” objetos presos na garganta sem orientação, porque isso pode piorar perfurações.
Como escolher melhor.
Alguns critérios ajudam muito na hora da compra:
- verifique se o brinquedo é próprio para cães (não para crianças)
- confira indicação de porte e idade
- prefira marcas que informam material, origem e testes de resistência
- evite peças com partes pequenas, costuras frágeis, tintas descascando
Também vale montar uma rotina de “revisão de brinquedos”, descartando os que estão quebrados, rasgados ou gastos demais.
Brincar com segurança.
Brincadeira segura não significa brincadeira sem graça, mas sim brincadeira com limites. Veja algumas orientações simples:
Supervisione qualquer brinquedo novo nas primeiras vezes e retire brinquedos que começam a se desmanchar.
Ofereça variedade, alternando tipos de brinquedo, para não desgastar sempre o mesmo combine brinquedos com estímulos mentais (farejar, treinar, resolver pequenos desafios)
O objetivo é que o cão se divirta, gaste energia, mas termine a brincadeira inteiro e não no veterinário.
- Não é sobre nunca
- A ideia não é proibir tudo.
- É ajustar o olhar.
Bolinhas podem ser incríveis, desde que do tamanho certo.
Cordas podem divertir, desde que não fiquem desfiadas.
Pelúcias, desde que seja sob supervisão.
Resumo, segurança não mata a espontaneidade. Ela só garante que o filme bonito da sala com brinquedo e cão feliz não corte, de repente, para uma sala de cirurgia.


