Adolescência canina? Isso mesmo; seu cachorro ficou teimoso, agitado e parece ter esquecido os comandos? Entenda a adolescência canina e veja como passar por essa fase sem quebrar o vínculo.
Virada de chave.
Um dia, seu cão parece um aluno nota 10: senta, espera, volta no chamado, quase lê seu pensamento, mas pouco tempo depois, começa a:
- ignorar comandos.
- testar limites.
- puxar mais na guia.
- marcar território, cheirar tudo, responder menos.
Não é “ingratidão”.
Logo, é a adolescência canina — um período em que corpo e cérebro dele estão em reforma.
Quando começa
A adolescência em cães costuma aparecer entre 6 meses e 2 anos, variando conforme porte, raça e indivíduo.
- Em cães de pequeno porte, ela tende a chegar mais cedo e passar mais rápido.
- Em cães médios e grandes, pode se estender um pouco mais.
É a fase em que:
- hormônios entram em cena (puberdade, cio, comportamento sexual).
- o cão começa a buscar mais independência.
- o vínculo com o tutor é testado na prática.
O que muda no comportamento.
Alguns sinais são muito comuns:
- desobediência seletiva: o cão “finge que não ouviu” comandos que antes atendia com facilidade.
- excesso de energia: corre mais, se agita com facilidade, tem dificuldade de relaxar.
- teste de limites: puxa mais na guia, desafia fronteiras em casa, pega coisas que já sabia que não devia pegar.
- marcação de território: principalmente em machos, com xixi em muitos pontos durante o passeio
- mudanças sociais: pode ficar mais ousado ou, ao contrário, mais medroso com pessoas e cães.
- comportamento sexual: montar em objetos, cães ou até pessoas mais do que antes.
Portanto, tudo isso não significa que seu cão “estragou”, e sim que está reorganizando a própria identidade.
A segunda fase do medo.
Isso acontece, porque durante a adolescência, muitos cães passam por um “segundo período de medo”. Ou seja, coisas que antes eram neutras ou até agradáveis podem ficar estranhas.
Isso pode incluir:
- pessoas usando chapéu, óculos, mochilas.
- barulhos específicos.
- objetos diferentes na rua.
- outros cães ou ambientes movimentados.
É uma etapa delicada: experiências negativas fortes aqui têm mais chance de deixar marcas duradouras.
Por isso, lidar com paciência, exposição gradual e reforço positivo é essencial.
Hormônios em cena.
A puberdade traz mudanças físicas e emocionais como, por exemplo:
Machos podem:
- marcar território com mais frequência.
- interessar-se mais por cheiros de outros cães.
- disputar espaço com outros machos.
Fêmeas podem:
- entrar no primeiro cio.
- ficar mais sensíveis, irritadas ou seletivas na socialização.
- mudar o apetite e o nível de energia.
A princípio, esses fatores aumentam impulsividade e reatividade, e isso se soma a um cérebro em plena reorganização.
Estudo da “rebeldia”.
Pesquisas mostram que cães na adolescência podem se tornar significativamente mais “rebeldes” com seus cuidadores, principalmente em torno dos 8 meses.
Um estudo citado em revista científica indicou que:
- cães de 8 meses tinham cerca de duas vezes mais chance de ignorar o comando “sentar” se comparados aos de 5 meses.
- essa desobediência era mais evidente com o tutor principal do que com estranhos, logo, sugere um paralelo com adolescentes humanos testando limites com os pais.
Ou seja: o cão adolescente não é “surdo”, ele está testando o vínculo, a coerência e o que vale a pena prestar atenção.
Não é hora de desistir.
Muitos abandonos acontecem justamente nessa fase, quando o cão para de ser “filhote bonitinho” e vira “trabalhoso”.
Mas os especialistas são claros:
se o tutor atravessa a adolescência com paciência e treino consistente, logo tende a colher um cão adulto muito mais estável, focado e seguro.
É uma fase de teste, não de sentença final.
O papel da rotina.
Na adolescência, rotina e previsibilidade ganham ainda mais importância.
Boas práticas:
- manter horários relativamente fixos para alimentação, passeio, descanso e treino.
- evitar mudanças bruscas demais, quando possível.
- estabelecer regras claras dentro de casa (lugares permitidos, limites de interação).
Rotina não é rigidez, é legenda.
Ela ajuda o cão a entender o que esperar e o que se espera dele.
Treino nessa fase.
Treino não pode parar e nem precisa ser mais duro.
Pontos-chave:
- reforçar comandos básicos diariamente, em sessões curtas.
- treinar em ambientes com um pouco mais de distração, mas ainda controlados.
- recompensar fortemente quando ele responde bem em contextos difíceis (outros cães, rua, estímulos).
Faz diferença:
- não assumir que “ele já sabe”.
- voltar alguns passos no treino quando necessário.
- valorizar foco e calma tanto quanto “obedecer por obedecer”.
Treinar calma de modo que (deitar no tapete, relaxar perto de você, esperar com tranquilidade) é tão importante quanto treinar “senta” e “fica”.
Socialização contínua.
A socialização não termina com o filhote.
Na adolescência, vale:
- continuar expondo o cão a pessoas, cães e ambientes variados, mas de forma gradual.
- manter encontros positivos, bem geridos, em vez de “jogar no meio” de situações caóticas.
- respeitar o limite do cão, afastando-se se ele se mostra sobrecarregado, ainda mais se for idoso.
Entretanto, a socialização mal feita nessa fase pode piorar medos e agressividade; socialização respeitosa ajuda o cão a ganhar confiança.
O tutor também muda.
Adolescência canina testa, além do cão, a paciência do tutor.
É comum sentir:
- frustração (“ele desaprendeu tudo!”)
- culpa (“o problema sou eu”)
- cansaço e vontade de “entregar” o cão para outra pessoa
Por isso, que ter rede de apoio (profissional de comportamento, grupo de tutores, família) e ajustar expectativas ajuda a não transformar essa fase em guerra.
Como passar por isso junto.
Algumas atitudes fazem diferença enorme:
- lembrar que é fase, não destino.
- reforçar os comportamentos desejados em vez de só punir os indesejados.
- evitar punições duras, que aumentam medo e podem piorar a rebeldia.
- investir em passeios, enriquecimento mental e descanso adequado, não apenas em “gastar energia” de qualquer jeito
Por fim, a adolescência pode fortalecer o vínculo: vocês aprendem a negociar espaço, limites e confiança.


